Emma Bonino, política italiana que morreu esta sexta-feira(11), transformou uma decisão íntima num dos momentos mais marcantes da luta pelos direitos das mulheres, depois de fazer um aborto clandestino e entregar-se às autoridades para desafiar uma lei que viria a mudar.
Em 1974, quando o aborto ainda era ilegal em Itália, Bonino interrompeu uma gravidez numa clínica clandestina em Florença. Ao regressar a casa, decidiu que nenhuma mulher deveria voltar a passar pela mesma humilhação e, no ano seguinte, apresentou-se voluntariamente à polícia para tornar o caso público.
O gesto deu força ao movimento que defendia a legalização do aborto, aprovada em 1978, e marcou o início de uma carreira política dedicada aos direitos civis. Curiosamente, Bonino nunca casou nem teve filhos, explicando anos mais tarde que essa foi uma escolha pessoal.
A morte da antiga ministra dos Negócios Estrangeiros foi anunciada esta sexta-feira pelo partido +Europa, que destacou o seu legado na política italiana. Até aos últimos anos de vida, manteve-se activa na defesa dos direitos das mulheres, dos migrantes e da igualdade.
Por: Jéssica Paulino
